Ela estava segura de que era auto-suficiente, forte, coerente, sensata, controlada e previsível. Até vir o amor e acabar com tudo, pois seu jeito não o intimidava. Ei, espera! Eu disse amor? Mas isso não estava previsto em seus planos para o futuro, aqueles que foram detalhadamente traçados ao longo de sua vida. Algo estava fora dos eixos, deixando-a com medo por não saber como lidar com tudo o que estava acontecendo. Ela não era tão segura de si quanto imaginava ser. Ela não queria isso pra sua vida, não agora, iria atrapalhar tudo! Mesmo não querendo, isso ficava cada dia mais forte, acabando pouco a pouco com a muralha que mantinha em torno de si. Ela não era tão forte quanto imaginava ser. Sentia algo crescendo dentro de si, e pela primeira vez na vida, não sabia exatamente o que estava sentindo. A coerência acenava, dando adeus, enquanto ia dobrando a esquina. Ela sabia que manter distância, como sempre fazia, era o sensato a se fazer. Mas quem disse que ela queria continuar sendo sensata? Ela só sabia que já não conseguia mais imaginar a sua vida sem ele. Ela não era auto-suficiente. Sem conseguir se controlar ela percebeu que previsibilidade definifivamente não faz parte do vocabulário desse sentimento. Ela estava apaixonada e não havia modo de voltar atrás. E ela não desejou voltar nem por um segundo. Um dia ela acorda, e se dá conta de que está fazendo, sentido e vivendo coisas que nunca imaginaria que pudessem acontecer com ela. Mas ela não estava sozinha para enfrentar tudo isso. Ela não estaria sozinha nunca mais, porque por mais que um dia isso possa acabar, é tão especial que sempre irá fazer parte dela. Isso é o que se chama de amor, mas parece que essa palavra já não é capaz de definir tudo o que sentem um pelo outro.
I cannot live without my life! I cannot live without my soul!